sábado, 9 de novembro de 2013

Bola de Neve

O mundo ataca-nos de formas incompreensíveis... Por vezes não queremos tanto, e noutras o que temos não chega. Há momentos em que inexplicavelmente, apesar de tudo parecer imperfeito, estamos exactamente onde deveríamos estar e outros em que todos os sonhos se tornaram realidade e no entanto parecemos incompletos.
Talvez seja uma forma estranha de o racionalizar, ou simplesmente uma teoria absurda... Talvez apenas balbucios de alguém que está sempre insatisfeito. Mas a verdade é que em cada momento, em cada situação, dependemos de outras pessoas. Elas ajudam-nos nas decisões difíceis, ou até nas mais triviais, elas fazem parte da nossa rotina, dos hábitos que intrincámos, geneticamente, em nós. Mexem com as nossas emoções e reagem às nossas atitudes. Essas pessoas têm o poder de tornar o incompleto completo, e de tornar o perfeito imperfeito. Pelos gestos, pelas palavras, pelas atitudes...
Todos os dias lutamos. Connosco e com essas pessoas. Com as expectativas que elas têm de nós ou da forma como as idealizámos. Com as opiniões delas do que é certo ou errado, de como é suposto ser o nosso comportamento perante os outros, iguais a nós. Lutamos contra o que somos e com o que somos, todos os dias, nessa demanda interior pelo que queremos e sentimos.
É por essas pessoas que tentamos ser algo diferente do que somos.
Por vezes este ser e não ser é bom. Faz-nos aprender sobre os nossos limites, empurra-nos para os caminhos certos e torna-nos melhores pessoas. Ajuda-nos a melhorar os melhores traços do que somos e a encolher aqueles a que chamaríamos defeitos. Outras vezes, parece roubar-nos a alma, a razão de existir. Porquê ter de fingir ser-se alguém que não se é? Estar-se satisfeito com algo que não chega? E se as outras pessoas não fizerem o esforço de mudar por nós também?
E se estivermos no limbo entre este bom e mau? Se duvidarmos do que estamos a deixar passar? Daquilo que não reclamamos de nós mesmos? De todas as coisas que não exigimos, apesar de fazerem falta, só porque temos demasiado medo de pedir?
Há coisas perfeitas que são imperfeitas e outras imperfeitas que roçam a perfeição. E mesmo que não pareça, há nessas definições uma linha ténue que define o certo do errado, o quero do não quero, o ser do existir...

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