quarta-feira, 22 de maio de 2013

Obstáculos

Os obstáculos existem por uma razão. Qual seria o objectivo de avançar, se o caminho fosse livre e a direito? Se não houvessem curvas que nos fizessem querer espreitar e saber o que vamos encontrar? Ou pedras a evitar, em que, inevitavelmente, tropeçamos de vez em quando? Se não existissem pequenos riachos, ou mesmo mares imensos que dificultam e atrasam o passo? Se não tivéssemos de procurar os lugares seguros para descansar, longe de lobos ou saltimbancos? A viagem valeria a pena se fosse fácil, monótona e aborrecida?
Eu acho que não.
Cada barreira ensinou-me coisas que precisava de aprender. Cada curva ensinou-me a ter cuidado e a diminuir a velocidade, por não saber o que me espera. As noites fizeram-me cautelosa, e os dias fortaleceram-me a cada passo. Os rios e mares ensinaram-me a nadar contra correntes e a ser inventiva para resolver problemas, aparentemente, irresolúveis. As pedras deixaram cicatrizes, que me fazem lembrar que devo olhar para o chão que piso, que não devo correr e que cada queda é apenas mais um motivo para me levantar.
Cada um anda ao seu ritmo e aprende as lições a velocidades diferentes. Talvez para alguns o simples uivar de um lobo ou o restolhar de ramos tenha bastado, para que ficassem alerta, outros terão tido de enfrentar os lobos para não se esquecerem de fazer uma fogueira durante a noite. E cada um tira lições diferentes no seu caminho.
Talvez muitos gostassem que a viagem fosse, de facto, fácil, monótona e aborrecida. Mas aí não viveriam. Deambulariam apenas nos interstícios do que poderia ter sido uma grande aventura.
É certo que nem todos escolhem o mesmo caminho, e alguns são mais difíceis que outros. Mas nenhum caminho é desadequado ao seu caminhante. 
Gosto de pensar que o meu caminho tem sido uma média entre momentos de grande dificuldade, e momentos em que avanço sobre vales e pradarias. 
Neste momento não sei definir onde estou. Sinto que cheguei a uma das muitas metas do meu caminho, um dos sonhos... Mas ainda me falta escalar a montanha para chegar a ele.
Sei que vou magoar as mãos, sei que arrisco cair, sei que ao subir a montanha, terei deixado para trás muita coisa, pois não é possível subir com toda a bagagem...
Mas quando o caminho vale a pena, não interessam os obstáculos. Eles estão lá por alguma razão.

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