terça-feira, 5 de abril de 2011

Once Upon a Time ...

Apetece gritar, apetece blasfemar aos céus, e perguntar o porquê de as coisas serem sempre tão complicadas. Apetece chorar incontrolavelmente, e conseguir obter uma resposta para todas as perguntas, todas as dúvidas que se formam na mente, como pequenos bichos, que corroem as entranhas.
Há coisas que se misturam, momentos difíceis, e minutos em que se ri desenfreadamente de tristeza, porque não há outra maneira de o encarar.
E as coisas passam-se à nossa volta. Sem que possamos mexer um dedo ou interferir minimamente com o que o Universo decidiu. Porque somos pequenos demais, ou demasiado cobardes. Porque somos apenas uma pequena parte de um todo que gira em torno de nós mesmos.
Todas as nossas crenças mais secretas, mais importantes, se desmoronam diante dos nossos olhos, e a verdade é que já nem interessa realmente. Damos por nós a pensar mecanicamente, e a ostentar uma posição fria, cruel e insensível, perante o nosso mundo de fantasia.
As interferências no pensamento são inúmeras, como pequenos choques, um de cada vez. Pensa-se, repensa-se, questiona-se... Recorre-se a todos os meios possíveis para tentar perceber o que, na verdade, não tem compreensão alguma.
Dizem que chorar faz bem. As lágrimas são pequenas esferas, carregadas com turbilhões de sentimentos, que ajudam a suportar mais um dia em silêncio, sem gritar, sem interferir.
Mas o grande escape não são as lágrimas, não é o choro. São as palavras ditas em silêncio, as palavras magoadas que se soltam em cada fio reluzente que percorre o rosto.
Por isso escrevo... porque já não há mais nada por que chorar.