Quando a imaginação voa tudo parece diferente... Mais brilhante, com mais cor! Tudo nos parece mais do que realmente é. Palavras tornam-se convites, gestos sem significado inundam-se de magia e envolvem-nos em momentos que, podendo ser perfeitamente normais, nos parecem saídos de uma história de encantar. Cada olhar, cada aperto no peito significa algo diferente. Tão diferente que não ousamos tentar definir... Porque as definições são racionais, e custa sair do mundo da ilusão, quando existem estes espaços entre ele e o mundo real, e tudo parece tão tangível, tão perto.O mundo da ilusão, das fantasias e sonhos, é um mundo traiçoeiro, perigoso até! Leva-nos aonde queremos estar e não nos deixa tomar o caminho contrário. Cada estrada que percorremos nesse mundo se desvanece para trás de nós, e não temos outro remédio senão continuar.. sempre em frente. Sempre com cenários novos e aliciantes, como se tivessem sido concebidos de acordo com todas as nossas necessidades e tentações. E que vis são esses caminhos!
E então, quando percebemos que estivemos sempre a sonhar acordados, esbarramos com o mundo real. Cheio de desilusões, de medos e dúvidas constantes. É esse tal mundo que por vezes é tão mau, que nos obriga a refugiar nesse nosso mundo idílico, onde as coisas (bem, a maioria delas) acontece como prevemos. Cada conversa, cada gesto é meticulosamente planeado, apenas para sair frustrado quando de regresso ao mundo real. E cada beijo imaginado, cada palavra sussurrada, são esquecidos, como folhas lançadas ao vento...
Pergunto-me de onde surgirá este mundo belo e simultaneamente assustador. Que faz de letras de músicas o nosso refúgio e que faz da mente um lugar de guerrilhas e material bélico pronto a ser utilizado contra nós mesmos.
No mundo real, não se arrisca. Tudo é demasiado precioso para que seja posto à prova ou possa ser perdido. Talvez por isso façamos tanto uso da nossa imaginação. Lá, nada se perde, porque lá é a nossa mente que comanda, e tem cada traço do que vai acontecer planeado ao pormenor, porque esse mundo é previsível, e o real, não.