sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Assuntos de Sapataria

Tenho vindo a pensar nas mais variadas coisas. As minhas divagações vão desde o tempo que vai estar amanhã, até a letras de músicas e questões muito maiores do que eu, a que, simplesmente, não sei como responder. Até que, ontem, deitada e enrolada nos lençóis, já prestes a adormecer bem quentinha, num dia de Inverno, tive o que me pareceu uma epifania momentânea. Geralmente, tendo a esquecer tudo aquilo a que me proponho ou penso naqueles breves minutos entre o adormecer e o dormir, mas por esta vez, talvez por ser uma questão importante, voltou-me à ideia a brilhante conclusão: "Amigos são como pares de sapatos."
Ora!, pensará o leitor menos imaginativo, "Esta endoideceu!".
Pois passo então a explicar:
Comprei um par de sapatilhas novas, daquelas um pouco mais rígidas. Sucede, portanto, que de cada vez que ando com elas, ficam a doer-me os pés, desde os dedos, que se sentem apertados, até àquela conhecida "parte de trás do tornozelo" onde se formam as mais variadas coisas, aquando do uso de sapatos novos, desde a vermelhidão exagerada, às bolhas incomodativas. No entanto, se queremos que o sapato alargue, é necessário fazer um esforço por andar com ele.
Pois, estes são os novos amigos que vamos fazendo. Aqueles que ainda não conhecemos, a quem ainda não nos habituámos, por não se terem, ainda, moldado à nossa forma de ser e pensar. E que, por isso, às vezes magoam sem se aperceberem, ou formam calos e resistências da nossa parte.
Agora, pensem naqueles sapatos velhos, aqueles que foram usados durante anos e anos, que já se adaptaram de tal maneira ao formato do pé que o estranho seria outra pessoa tentar calçá-los. Sim, esses sapatos que são do mais confortável que há! São os que nos ficam melhor, e que, em geral, já dão com qualquer tipo de roupa.
Ora, esses são os velhos amigos, aqueles cuja amizade foi crescendo ao longo do tempo, e com os quais nos identificamos mais do que com quaisquer outros, porque se moldam a nós de forma perfeita, e porque sabemos poder contar com eles quando os sapatos novos nos magoam...
Mas, eventualmente, os novos sapatos tornam-se velhos, e são substituidos por "outros novos sapatos", e os velhos, ah! os bons e velhos sapatos, alguns, inevitavelmente, têm de ser deitados fora, talvez aproveitados para usar por casa, mas há outros, aqueles que gostamos mais, que ficam guardados no armário. Não se permite à mãe que os deite fora, mesmo que estejam inutilizáveis, porque esses, esses foram os sapatos com mais significado, com mais vivências, e com os quais passámos os melhores momentos das nossas vidas!