
Era uma vez um cavalo e o príncipe que nele montava,
Batalhando em guerras alheias, fazendo do campo casa.
Léguas e léguas percorridas, o cansaço que pesava,
Quase chegava à torre, mas com a fome, bateu a asa.
Era uma vez um tapete, mágico e voador,
Que lembrava os contos do oriente.
Que queria ser visto, ser célebre, actor!
E que fez a mala, pensando a quente.
Era uma vez uma fada, sozinha, cansada,
Com asas inúteis que já não obedeciam.
Sentindo-se triste, velha, acabada,
Passou a roubar dentes, às crianças que dormiam.
Era uma vez um peixe e a memória que falhava,
Numa vida feliz de quem não tem problemas.
Quanto mais nadava, mais de casa se afastava,
E aventurou-se noutros ecossistemas.
Era uma vez um castelo encantado,
Onde vivia uma Bela, que lia sem parar.
Excepto quando o Monstro chegava cansado,
E ela largava tudo, para o ir beijar.
Era uma vez um ratinho atrevido,
Que gostava de queijo e comia sem parar.
Até que um dia, um gato sussurrou-lhe ao ouvido,
Que, se não parasse, iria engordar.
Era uma vez um boneco de madeira,
Que sonhava em ser um rapaz de verdade.
Logo percebeu a sua grande asneira,
Quando, com o passar dos anos, chegou a velha idade.
E era uma vez um vermelho capuchinho,
De uma menina de histórias de encantar,
Que repousava, pousado, num cantinho,
Na toca de um lobo que a fazia sonhar.