quinta-feira, 15 de abril de 2010

Inteligência



Somos humanos. Será isso uma bênção ou uma maldição?

Somos os seres pensantes, aqueles que inventam, criam, e fazem escolhas. Aqueles que olham o mundo de forma diferente, que vivem segundo crenças e que fazem amizades e se apaixonam. Os que constroem, destroem e dominam. Os seres inteligentes.

Todo o conhecimento, todo o controlo sobre os instintos mais básicos, torna-nos tristes, enfadonhos. Porque pensamos demasiado. No "porquê", no "e se...", no "será". Não arriscamos demasiado, e imaginamos cada momento como gostaríamos que fosse.

Somos dependentes do pensamento e, apesar dos benefícios, ele torna-nos fracos.

Somos, no fundo, vulneráveis à dor. Não uma dor física, uma dor que não se vê, algo que não conseguimos controlar totalmente e que monopoliza o nosso reino de contos de fadas.
Somos capazes de julgar alguém pela aparência, ou pelas suas primeiras palavras, sem esperar para usar a dita inteligência e arriscar conhecê-la.

A nossa mente é lugar de confusões enormes, nas quais não conseguimos sequer discernir o que é certo ou errado. E tudo, porque ousamos acreditar que o mundo foi feito para nós.

Nao foi.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Paciência



Há coisas que devem ser levadas com calma, sem pressas.

É certo que o relógio não pára. Os ponteiros avançam implacavelmente, sem esperar por quem se atrasa, sem uma palavra que ajude. E, talvez por isso, queremos apressar-nos. Fazer as coisas já, sem demora...

Mas o que é importante, realmente importante, leva tempo a construir. Tempo que achamos que não temos, tempo em que tanta coisa pode acontecer e revolver o nosso organizado mundo.

Temos sonhos, sentimentos e desejos que não somos capazes de domar. Há situações que escapam ao controlo, e que nos fazem lamentar não ter perdido uns momentos mais a analisá-las...

E, de repente, deixamos de saber o que queremos. A confusão instala-se na mente, qual rei a assambarcar um trono poderoso, e comanda os pensamentos, e até o próprio tempo.

E os desejos, pulsantes, quase tangíveis, deslizam por entre os dedos que os tentam, em vão, agarrar. Passeiam-se, pavoneando-se à nossa frente como quem chama: "Salta para me apanhar, se tiveres coragem! Salta, salta rapariga! Então? Não és capaz?". E queremos desesperadamente saltar, como se o chão que pisamos não fosse suficientemente instável.

E o tempo, oh o desdenhoso tempo que se ri perante a indecisão, perante a cobardia que nos atinge. E se saltamos e o chão cede?

É preciso esperar, não dar passos em falso. É preciso conhecer, ler sinais como as fendas no solo, ou a possibilidade de chuva... Porque nada é simples, e as nossas decisões traçam caminhos. Não só o nosso, mas o de quem nos rodeia, e é com esses caminhos que temos de ter cuidado, pois não sabemos se algum deles é demasiado frágil para aguentar, se, ao saltar, cairmos num cruzamento.

Só um pouco de paciência...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sim, sou feliz .


A felicidade é o que interessa. Quer seja a nossa, ou a daqueles de quem mais gostamos. E essa pode tornar-nos mais felizes ainda...

É certo que cada passo que damos, cada pedaço de castelo que construimos, é feito por nós e para nós. Mas os interstícios têm de ser ligados, e o cimento que os une é inabalável: uma mistura de amizades sinceras e amor verdadeiro, pelos quais abdicamos do que for, por mais que doa colocar essa pedra em cima das outras.

Apesar disso continuamos, pois sabemos que, no final, quando o castelo estiver completo, cada pedra estará no seu exacto lugar, tal como fora colocada antes, e fará parte integrante de um todo. Terá contribuído, certamente, para a construção sólida e firme da nossa própria estrutura.

Por isso, proseguimos. Confiantes das escolhas e dos pequenos sacrifícios que fazemos, certos de que esses, talvez menos notados, nos trarão uma felicidade mais completa, mais verdadeira.

Abdicar nem sempre é fácil, e perdem-se pedaços de ser pelo caminho. Agarrando, aqui e ali, uma outra peça que encaixe nos sítios em que falta. Porém, abdicar é essencial, pois é no dar que estão os sorrisos mais sinceros, e não no receber. É neste "dar" que nos sentimos pessoas, e é neste "dar" que ousamos sentir a dor que nos endurece e torna mais resistentes.

"Não esperar nada em troca". É uma frase sem significado.

Todos esperamos algo em troca, humano ou divino. Esperamos que as amizades permaneçam, esperamos um "obrigado" um "gosto de ti" sincero. Esperamos que as atitudes tomadas sejam as correctas, e esperamos, acima de tudo, que um dia possamos receber uma pequena parte do que demos. Não precisa de ser grande e ostentosa, não. Pode ser pequena, raquítica e aleijada, desde que seja dada com o mesmo carinho e amor que depositámos nela anteriormente.

E, porque tudo é cíclico, esperamos encontrar um caminho para nós, só nosso, aquele caminho que nos completa e guia constantemente. Aí, então, talvez todos os pedaços de felicidade armazenados tenham valido a pena, pois iremos oferecê-los em troca de uma alegria eterna.