
Há coisas que devem ser levadas com calma, sem pressas.
É certo que o relógio não pára. Os ponteiros avançam implacavelmente, sem esperar por quem se atrasa, sem uma palavra que ajude. E, talvez por isso, queremos apressar-nos. Fazer as coisas já, sem demora...
Mas o que é importante, realmente importante, leva tempo a construir. Tempo que achamos que não temos, tempo em que tanta coisa pode acontecer e revolver o nosso organizado mundo.
Temos sonhos, sentimentos e desejos que não somos capazes de domar. Há situações que escapam ao controlo, e que nos fazem lamentar não ter perdido uns momentos mais a analisá-las...
E, de repente, deixamos de saber o que queremos. A confusão instala-se na mente, qual rei a assambarcar um trono poderoso, e comanda os pensamentos, e até o próprio tempo.
E os desejos, pulsantes, quase tangíveis, deslizam por entre os dedos que os tentam, em vão, agarrar. Passeiam-se, pavoneando-se à nossa frente como quem chama: "Salta para me apanhar, se tiveres coragem! Salta, salta rapariga! Então? Não és capaz?". E queremos desesperadamente saltar, como se o chão que pisamos não fosse suficientemente instável.
E o tempo, oh o desdenhoso tempo que se ri perante a indecisão, perante a cobardia que nos atinge. E se saltamos e o chão cede?
É preciso esperar, não dar passos em falso. É preciso conhecer, ler sinais como as fendas no solo, ou a possibilidade de chuva... Porque nada é simples, e as nossas decisões traçam caminhos. Não só o nosso, mas o de quem nos rodeia, e é com esses caminhos que temos de ter cuidado, pois não sabemos se algum deles é demasiado frágil para aguentar, se, ao saltar, cairmos num cruzamento.
Só um pouco de paciência...
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