Tudo o que somos, tudo o que construimos, devêmo-lo a pessoas.
Pessoas que entraram no nosso mundo sem pedir, e outras a quem pedimos que entrassem. Pessoas que não compreendemos totalmente, e outras que nos conhecem melhor que nós mesmos. Temos pessoas especiais, pessoas normais. Grandes e pequenos amigos e amigos pequenos e grandes que, de uma ou outra forma, contribuiram para a pessoa que somos hoje. Com gestos, com palavras, com pequenos pedaços de "ser".
e nós aceitamos, sem questionar.
E, por vezes, não estamos preparados para que um dos pedaços ocupe mais espaço que os outros ou, contrariamente, encolha e caia do seu lugar.
Nada é estático, e estamos em constante desequilíbrio entre o que somos, o que fazemos e o que pensamos.
E é tudo tão difícil de definir...
Trazemos sempre bagagem, um passado que não somos capazes de deixar para trás. E ela aumenta, a cada viagem que fazemos, a cada passo que escolhemos dar.
E tudo converge para um "eu", para uma indefinição contínua daquilo que queremos.
Por isso, cada pessoa é única, cada um carrega o que consegue, sobre os ombros ou nas mãos. Por vezes, pesos tão duros que pedem um passo mais lento, uma maior ponderação sobre o que podemos, ou não, juntar à bagagem, para que não fraquejemos a meio caminho.
Há aqueles cujas malas não pesam, e que vivem o seu trilho rejubilando de leveza e alegria a cada passo.
Há ainda os que param, para beber água, para descontrair, porque já não conseguem mais.
E há sempre entroncamentos, vias totalmente opostas e sem sinalização, sem ninguém a quem perguntar qual a direcção a seguir. Ficamos na dúvida: que caminho seguir?
Se escolhermos o errado, sabemos que teremos de voltar para trás, por caminhos pedregosos, até encontrar novo trilho.
E caminhar custa. Cansa e magoa os pés, pois as solas dos sapatos já estão gastas.
Por enquanto, vou parar, descansar da caminhada. E até aparecer algo, ou alguém que me indique o sentido certo, estarei aí, a acampar no entroncamento.
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