segunda-feira, 29 de março de 2010

Fraqueza

Existe sempre um momento, pequenino, antes de adormecer... Os desabafos, as conversas imaginadas com um mero urso de peluche, ou direccionadas para um tecto vazio de vida e sentimentos. O típico momento que é só nosso, que ninguém pode roubar, porque desabafamos connosco mesmos...

E há dias melhores que outros. Mas o que interessa é falar. Falar até não poder mais, deixar transbordar as entranhas dos pensamentos. Deixar as lágrimas cair. Lentas, quentes, molhadas. Carregando em si cada palavra amargurada, cada pequena infelicidade que transportamos.

Porque é a única forma de aguentar um novo dia, um novo jogo, no qual a única regra é não quebrar. Não em frente aos outros, sejam eles quem forem.

Porque quebrar significa fraqueza, e faz dos que se preocupam connosco infelizes, ainda que por breves minutos.

E o sorriso mantém-se. Sempre! Faça chuva ou sol, seja um dia bom ou mau. Porque o que interessa é sorrir.

É por isso que o pequeno momento nocturno é tão fulcral, tão crucial. É o momento em que o coração rasga, dilacera e queima, em que os soluços são incontroláveis e queremos ser embalados, como quando éramos crianças. Mas é uma dor silenciosa, individual, e a noite cura, mais uma vez, o coração despedaçado que, tendo desfeito a dor em lágrimas e blasfémias, acorda para a manhã, renovado.

A vida prossegue, e há dias bons, em que o coração aquece, e o nosso momento não precisa de tristeza porque nem tudo pode ser mau. Mas sabemos, bem dentro de nós, que podemos contar com a noite, a nossa fiel companheira de desabafos e desamores.

E é aí que nos sentimos em casa, protegidos, ouvidos, porque, até aí, ninguém se apercebeu...

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