E se eu quiser ser óbvia?Se quiser gritar o que sinto? Se quiser explodir de raiva e deixar-me levar? Se quiser ser estupidamente irresponsável e testar a profundeza do rio com ambos os pés?
E se me apetecer praguejar aos quatro ventos, gritar até não poder mais? Se me apetecer ser parva e deitar tudo a perder?
E se me estiver nas tintas para se o mundo compreende? Se me fechar em mim mesma e não ligar ao que os outros pensam, ou dizem, ou fazem?
Se quiser tentar?
O que há de tão importante, nesta vida, que me impeça de ser eu mesma?
Se quiser voltar atrás e deixar-me levar pela fúria? E se me apetecer estar triste e chorar o rio Douro num dia?
E se me sentir excluida, fraca, fora de mim mesma? Se sentir que o mundo gira sem mim e que não quero mais fazer parte daquilo que conquistei?
E se gostar disso? Se adorar a liberdade de quem não se prende?
E se decidir voltar a ser eu?
Se descobrir que o meu grande problema é o coração e não a mente?
E que grande problema seria esse!
Se me apetecer parar e não escolher? Se quiser ficar num lugar seguro?
E se decidir que não vale a pena? Que lutar por coisas perdidas não faz sentido? E se as coisas perdidas me custarem a perder?
E se decidir ser livre?
E se, bem no fundo, souber o que quero? E se me arrependo?
Bem, essa é uma questão completamente diferente...
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