domingo, 2 de novembro de 2008

Fosso

Havia algo estranho naquele lugar. Era frio, e escuro. Ouviam-se as pingas de água a cair compassadamente.
Ouviam-se vozes. Não vozes humanas... Pareciam falar numa qualquer língua estranha que, no entanto, era entendida na perfeição. Gritavam sussurrando-me ao ouvido. Chamavam-me sedutoramente de encontro ao caos, instalando a confusão na minha mente.
Caí em roda, numa espiral de sentimentos, momentos e sensações. Voltei passado, experimentei futuros e caí. Continuei a cair até me apreceber que não havia chão. Que estava a cair no abismo do pensamento. A saltar da falésia da segurança, e a despenhar-me no centro das minhas próprias dúvidas e confusões...
Tudo à minha volta girava, e girava, e girava... O fosso era demasiado fundo, demasiado assustador...
À minha volta só via perguntas, decisões, dúvidas... Dúvidas às quais não sabia sequer dizer "sim" ou "não".
Inevitavelmente, atingi o solo... um chão duro e pedregoso..
Caminhando deambulo por esses caminhos sinuosos onde me perco sistematicamente. Encontrei várias portas ao longo do caminho, mas nenhuma delas ainda abriu com a única chave que trago comigo. Escurece cada vez mais... E, à medida que caminho, rezo, para encontrar a fechadura que me deixe, por fim, sair...

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